[Do lat. imp. improprietate.]

... Substantivo feminino ... 1. Qualidade de impróprio ... 2. Inconveniência, oportunidade ... 3. Incoerência, absurdo ... 4. Deslize, lapso; incorreção: Sua linguagem se ressente de muitas impropriedades

quarta-feira, 15 de abril de 2009

É indecente, imoral ou engorda?


Certamente quando, em 1999, Gustavo Ott escreveu o texto FOTOMATON em Caracas, na Venezuela, ele tinha o desejo de questionar lugares/instituições/relações que constroem o status-quo do nosso tempo. Como todo artista que se preze e se proponha a cumprir seu papel no sistema em que vivemos, ele questiona através do seu trabalho/texto o que já é aceito como "normal" ou "natural" pela sociedade. Ele "revela" situações que são "comuns" no dia-a-dia, mas não são "divulgadas" porque não é "bonito" falar sobre.

Assim, a prima racista discorre seu veneno preconceituoso contando sua experiência em um estádio de futebol; o tio que mora em Nova Yorque questiona a hipocrisia reinante em seu país de origem; o irmão anarquista propõe o aniquilamento da espécie humana como única saída para o planeta; o pai e a mãe egocêntricos só se preocupam com seus problemas e mal dão conta da morte do filho. Tudo isso escrito com muita ironia e bom humor, onde conseguimos enxergar nossas próprias falhas e nos divertirmos com elas.

O texto de Gustavo Ott e, conseguentemente o espetáculo que estreamos nessa quinta-feira, não se utiliza de nudez, nem de insinuações de sexo, nem de consumo de drogas. Nada é explicito. Nada é de mal gosto. Falamos sobre esses assuntos, assim como discutimos de futebol e problemas cotidianos. O que é explícito e possível de enxergar é que muitos desses assuntos já foram levantados em filmes e outras produções culturais.

Bom, quase todos conseguem enxergar... porque segundo a juíza de direito Lídia Munhoz Mattos Guedes "o conteúdo da peça é inadequado para menores de 18 anos, uma vez que os diálogos são impróprios para infantes e adolescentes e contrariam a moral e os bons costumes, bem como atenta contra os artigos 6o., 17 e 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente". Claro... tudo isto "afim de assegurar que estes não sejam submetidos a situações constrangedoras".

Eu sinceramente acho que essa senhora não deve nem andar assitindo TV, mas "a palavra do Rei é Lei!"... Dessa forma, se você quiser trazer seu filho para assistir ao espetáculo pense duas vezes: Você terá que assinar uma declaração para que ele possa entrar no Teatro Novelas Curitibanas.

É nesse momento em que eu vejo como algumas coisas são tão parecidas entre o Brasil e a Venezuela... e como diz o tio Carlos (um dos personagens do espetáculo): "E me disseram que as coisas haviam mudado, que as pessoas mais ainda, que havia mais cultura. É lamentável!"



foto de Chico Nogueira

4 impropriedades alheias!:

Sabrina disse...

Ainda bem que já tenho 30! ^^
Vi "Solteiras, evangélicas e divorciadas". Pelo jeito as comédias desse cara são mesmo incomuns.

M. Nilza disse...

Tão querendo me chamar de burra..!! rsssssss
Pq disseram que a censura tinha acabado juntinho com a ditadura e eu ACREDITEI!!

Aff.
Muito sucesso pra vcs.
ou melhor como vcs dizem: MERDA!
Beijos

Bel Lucyk disse...

Max, se este espetáculo vier para Fortaleza, certamente vou assistir. Parece ser muito interessante.
E em relação à juiza... um dia li uma reportagem sobre a pequena quantidade de pessoas que é responsável por pareceres sobre a faixa etária própria para filmes e espetáculos. E também que essas pessoas chegam a essas conclusões por achômetros... ´
Não sei o que é pior...
De qualquer forma, parabéns pelo espetáculo. E se eu tivesse um filho, e se ele tivesse menos de 18, assinaria a declaração e o levaria para assistir! beijos

Criss disse...

Olá, Max!
Basta um minuto de conversa com as crianças e com os adolescentes para termos certeza de que sabem muito além do que esperamos (graças a Deus)!!
Há muitas pessoas que ainda dizem aos netos que eles vieram no bico da cegonha e é nessa hora que o neto se tranca no quarto e morre de vergonha.
Beijo grande
Criss