Merda!

Será que eu ainda vou ficar muito tempo aqui? - Era o que se perguntava o escritor, sentado no vaso sanitário, sofrendo de cólica intestinal. Olhando para baixo, via as dobras de sua barriga flácida. Definitivamente estava gordo. Precisava fazer alguma coisa urgente. Caminhar. Correr. Exercitar-se de alguma maneira. Chega de tanta comida e leitura. E escrever. E escrever... era uma das poucas coisas que ainda lhe davam prazer. Algum prazer.
Seu estômago, definitivamente, havia declarado guerra. Alguns dias era a azia que não lhe deixava pensar. Noutros, como hoje, essa torrente sem fim que lhe prendia ao vaso sanitário. Merda de vida! - pensava. Merda... literalmente.
No meio desses pensamentos pouco artísticos, lhe ocorreu uma idéia "brilhante". Um desses insights que, com certeza, virariam uma verdadeira obra-prima. Pensou em levantar-se rapidamente e correr para o computador
escrever, ou pelo menos esboçar, a idéia que tivera. Só pensou. No momento em que fez menção de tirar a bunda do vaso sanitário -literalmente - uma imensa onda de cólica lembrou-o o porquê de ainda não estar dormindo.
escrever, ou pelo menos esboçar, a idéia que tivera. Só pensou. No momento em que fez menção de tirar a bunda do vaso sanitário -literalmente - uma imensa onda de cólica lembrou-o o porquê de ainda não estar dormindo.Começou a entrar em pânico. Ultimamente andava com um bloqueio. Mental, óbvio. Não conseguia animar-se a escrever nada que fosse. Nenhuma chispa. Nenhuma idéia. Nenhuma sensação que o motivasse a aventurar-se a escrever. Bom... pelo menos até o momento. Não podia arriscar perder a inspiração... mas também não podia arriscar sair do banheiro daquele jeito e fazer uma sujeira que depois seria responsável pela limpeza.
Alucinadamente começou a procurar papel e caneta. Talvez se anotasse alguns tópicos, pelo menos, conseguiria lembrar depois da idéia. Sim, era obrigado a reconhecer que sua memória era péssima. Não era daqueles escritores que conseguem ficar "cozinhando" um texto somente na cabeça e depois derramam tudo no papel... ou na tela... ou... ou seja, ou escreve ou perde! Simples assim... quer dizer, neste momento nem tão simples.
Agarrou-se com o rolo de papel higiênico. Não deixava de ser papel e, pelo menos, era branco. Sem nenhum tipo de desenhinho e/ou perfume. Aliás, isso era um ítem que não se discutia. Tinha verdadeira aversão aqueles papéis enfeitadinhos. Pronto! Problema resolvido... já tinha papel! Agora era só escrever e guardar a idéia brilhante.
Escrever... Escrever... Escrever... Com que caneta, porra?
Merda. Mil vezes merda!
E nova cólica chegou, para fechar a história com chave de ouro...




7 impropriedades alheias!:
Achei que só acontecesse comigo. Bem vindo ao time dos "desinspirados" e problemáticos!
Texto bem legal!
Layla Barlavento
http;//culpadowalter.blogspot.com
Oi, meu lindo!
Rsssssss ainda bem que essa pessoa não poderia ser vc. óbvio!! Afinal, vc é esbelto e nem tem dobrinhas na barriga né?
Seria interessante se ele tivesse resolvido o problema da escrita, assim saberíamos dessa grande idéia entre: vasos, solidão, dor, merda e inteligência!!
beijos
Muito bom! A idéia se perde em merda e água.
Pobre escritor! =)
Se eu fosse ele, certamente escreveria sobre isso! Alias, vivo escrevendo sobre minhas tentativas de inspiração, esquecimentos e depois as tentativas. E o assunto que é bom, esse demora a vir! rs rs
Beijos
Faça que nem o Conde de Montecristo.
Ele não tinha papel, não tinha caneta e usou o que tinha a seus dispor. =p
Ahahahahahahahahahahah!
Sensacional!
Cólica intestinal e falta de inspiração são uma merda, mesmo! Neste caso, literalmente!
Bjs!
Vícios e virtudes...
Beijoo Faninha!
virei seguidora!
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